Conscientes do “sofrimento latente” nestas famílias, a intervenção realiza-se através de consultas terapêuticas com a técnica de serviço social, com a psicóloga, ou com o pedopsiquiatra, conforme os diferentes níveis de problemática. Nestas intervenções pretende-se criar uma relação de confiança e de disponibilidade, por parte do técnico que as acolhe, muitas vezes numa relação de "guidance".
Procura-se estimular a sua capacidade de reflectir e partilhar, mobilizando-as para, de alguma forma, colaborarem no “projecto de ajuda” à criança, projecto que passa não só pela sua adesão, mas também, por alguma mudança na própria família. Enquanto técnicos, servimos de “porta-voz” do sofrimento da criança, tentando fazer sentir aos pais como nele poderão estar implicados e as formas de o minorar.
Respeitamos e compreendemos as suas necessidades e limitações, mais do que as suas vulnerabilidades e fracassos, sem fazer juízos de valor sobre as suas insuficiências parentais, reforçando, antes, os seus recursos internos e os êxitos que se vão alcançando.
Há famílias que, ao serem assim acolhidas, são capazes de tomar consciência da importância da mudança, de olhar de outra forma para os seus filhos e para si próprias, sem ficarem presas a vivências anteriores traumatizantes. São famílias “facilitadoras” da nossa intervenção, permeáveis e sensíveis a algumas mudanças.
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